Porque é que viver na Grã Bretanha te vai fazer crescer

Falo única e exclusivamente por mim. Eu, a pessoa que tem uma relação de amor-revolta com esta terra.

Não vou falar das coisas más. Vou falar da forma como o Reino Unido me fez crescer e como tenho a certeza que vai fazer crescer os próximos portugueses que para cá vierem e que se sintam integrados.

No Reino Unido (se já não gostarmos, como era o meu caso), vamos aprender a adorar animais. Quase não há animais abandonados e os que há, são recolhidos por associações que só os abatem em casos de doenças terminais. Há legislação que proteje os animais a sério. Quem não tem possibilidades financeiras para ter um animal e caso esteja a receber um subsídio do estado, pode recorrer aos serviços da Blue Cross, um hospital de animais gratuito.

Vamos aprender que a maternidade não faz mal. Nem ao casal nem à carreira. E se tirares os primeiros 5 anos da vida do teu filho para te dedicares à tua família também não faz mal. Ninguém te vai discriminar por causa disso, pelo contrário. Vais poder acompanhar a criança nos recitais de ballet, às aulas de karate, participar nas sessões de leitura conjunta na escola, no grupo de actividades. E ser mãe não quer dizer que te anules como pessoa, porque vais continuar a ter amigos e os que não são pais não vão fugir de ti. Quando quiseres voltar a trabalhar, nenhum empregador vai torcer o nariz à pausa de 5 anos e isso vai inclusive contar para o teu CV.

Vamos ter de aprender a bela arte da conversa fiada. Eu ainda não tenho amigos próximos nativos e as perspectivas nesse campo não são prometedoras. No entanto, as minhas ansiedades sociais foram agora arrumadas a um cantinho e consigo finalmente ter conversas leves com as pessoas, sem pensar no que elas pensam de mim e se sou interessante o suficiente. Cá ninguém quer saber nada disso. Querem conversar, mesmo que não tenha qualquer conteúdo. Faz parte da forma de socialização.

Vamos ganhar sentido crítico. É condição natural para se ser inglês. Não falo do sentido crítico de debitar Marcelo Rebelo de Sousa ou Sousa Tavares ou “O Passos Coelho é um palhaço!” (que é, isso não vem ao caso). Aprende-se a analisar situações utilizando os nossos códigos de compreensão e formar uma opinião sobre isso.

Vamos aprender a olhar para a arte de outra forma. Está em todo o lado, toda a gente fala sobre isso. Seja urbana ou não. Seja uma pintura ou um edifício. Um musical ou o ballet. Aprendi mais sobre e vi mais arte nestes últimos quase quatro anos que em 25 anos da outra parte da minha vida.

Vamos aprender com o orgulho que os ingleses têm na sua localidade. Seja do seu bairro, da cidade, do distrito, da sua classe social. A localização é uma identidade. E não existem linhas esbatidas entre as tribos urbanas. As pessoas são livres de se identificarem com uma e, desde que a assumam em pleno, são aceites. É inevitável deixar-nos levar um pouco por isto mas é uma das coisas que mais gosto por cá. Faz-nos falta algum orgulho no que somos.

Vamos aprender o igual orgulho e apego que eles têm à sua História e ao seu Património imóvel e natural. Os ingleses hão-de ser sempre referência neste aspecto. Temos muito a aprender com eles e com a forma como a valorização deste património os une e os define. Independentemente de ser por questões de mobilidade ou aspiração de classes sociais, os ingleses visitam os seus parques naturais, monumentos e museus. É possível ir a um Museu por cá e ficar a saber mais sobre o assunto.

Vamos aprender que o nosso tempo livre não tem de ser partilhado só com os amigos e a família. A consciência social é algo muito vincado por cá. Há voluntários em todo o lado e a fazer qualquer tipo de funções. Seja a nível nacional ou local, existe um sem número de instituições que funcionam maioritariamente com trabalho voluntário. Seja pelas razões que forem, estas pessoas estão dispostas a dar um pouco do seu tempo a uma qualquer causa em nome de um bem maior.

Viver noutro país é díficil e nossa cultura não é tão semelhante a esta como parece à partida, mas vir para cá deu-me estas coisas que me enriqueceram para sempre.

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